O mundo com outros olhos
O que é isso? Que coisas são essas? Milhões de linhas das mais variadas cores, cores que nunca antes havia visto, percorrem o mundo que meus olhos alcançam. Linhas ligando tudo o que existe, com o que está além dos meus olhos. Um mundo novo está a minha frente. Mas não podia estar vendo esse mundo em pior hora. Mais uma bala zune explodindo na parede do posto de gasolina. Lá fora 5 motoqueiros mal encarados se revezam atirando na pequena loja de conveniências. Eu sabia que não deveria ter saído de casa nessa noite. Eu tinha visto no jornal que ia ter neve essa semana, e que seria bom evitar sair pra evitar não ficar preso na estrada. Eles nunca acertam, e justo nessa, eles estavão certos. O policial que evitou o roubo a loja levanta o braço num esforço sobre humano pra revidar o fogo, mesmo ferido e com um forte sangramento ele consegue disparar diversas vezes, acertando um dos motoqueiros no rosto.Um dos tiros acerta uma das bombas de gasolina. O fogo é uma das coisas mais destrutivas desse mundo e uma das mais belas. Não ouço as vozes das pessoas ao redor que tentam se afastar do posto, Nem me movo quando elas tentam me tirar dali, sinto alguns puxões e o desespero. Observo os motoqueiros fugindo em meio as chamas.Tentando levar o corpo dos companheiros mortos nessa tentativa frustrada de assalto. E a vejo dançando como uma dançarina exótica. Seduzindo-me. Encantando-me com seus movimentos vigorosos e calmos, seu rastro de destruição chega a ser ofuscado pela sua grandeza. Antes de ver as coisas como vejo agora, as chamas eram algo fascinante, mas agora posso ver as energias pulsando dentro dela, vida e morte em uma dança macabra de beleza e destruição. A mesma chama que aquece os sem teto nessa noite de inverno, é a mesma que queima o frentista, que indefeso tentava se esconder do tiroteio próximo de uma das bombas de gasolina. Não posso ver muita coisa. Mas posso sentir o momento em que tudo vai pros ares. A levesa do meu corpo, as chamas crepitantes. E um anjo se revela a minha frente.Suas asas se estendem pra proteger meu corpo das chamas, enquanto envolto em uma luz azul celeste meu corpo flutua como se não tivesse peso.
- Estou morto? Veio me buscar? – Foram às palavras que sairam com dificuldade da minha boca. A ausência de medo era incomoda. Sempre pensei que meu maior medo fosse da morte. Estranhamente eu estava errado.
- Desperte mortal. A centelha divina repousa em sua vontade, a criação em suas mãos. – Uma voz estrondante, que ecoou por todos os cantos parecia sair do ser de luz que me protegia.
Um clarão gigantesco tomou todo o lugar. E pude me ver na fila da loja de conveniências. Com alguns suprimentos. Quando um motoqueiro entra baixando uma mascara. Mas agora eu sei o que fazer, sei como agir. E ninguém vai se ferir essa noite. Não comigo nessa loja!
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Pessoal. Eu continuo esse conto, de acordo com os pedidos nos feedbacks OK!? Abraços.
Postado em February 28th, 2010 às 14:45
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